A crescente abertura ao
comércio internacional na segunda metade do século XX é uma característica incontornável da evolução da economia portuguesa. Apesar das crises de Balança de Pagamentos que várias vezes atingiram Portugal durante o século, o aumento da abertura comercial externa não parece ter provocado desequilíbrios adicionais na Balança Comercial, que foi quase sempre deficitária desde o início do século XIX. Na evolução da estrutura do
comercio externo ao longo do século ressalta a interligação com o processo de industrialização. Nas exportações, o traço mais marcante é a troca de posições entre os bens alimentares e os bens de consumo não alimentar que ocorreu nos anos 60. Os bens alimentares eram inicialmente preponderantes, com o de vinho do Porto a dominar as exportações durante o século XIX e grande parte da primeira metade do século XX, mas depois os bens manufacturados (incluindo, com alguma importância já no fim do século, bens de investimento) passam a predominar na estrutura das exportações. Nas importações destaca-se a evolução dos bens de investimento, que adquirem cada vez mais peso a partir do fim da primeira metade do século. Sendo principalmente provenientes de países desenvolvidos, as importações de bens de investimento foram não só essenciais para o processo de industrialização em si, como, também, para a transferência de conhecimento tecnológico para as empresas portuguesas.